Estando em cima da mesa a possibilidade da FPAK autorizar as viaturas N5 no Campeonato de Portugal de Ralis, faz todo o sentido ouvir o que os principais intervenientes no principal campeonato têm para dizer.
O SportMotores.com contactou os cinco primeiros classificados do Campeonato de Portugal de Ralis e os três primeiros classificados do Campeonato de Portugal de Ralis de duas rodas motrizes. De oito pedidos recebemos quatro respostas, ou seja, metade dos pilotos acederam ao nosso pedido.
Começamos pelo líder do campeonato - Armindo Araújo - que apoia a vinda dos N5. "Um carro como o N5, dentro das performances de um Grupo N como eram, por exemplo, os Mitsubishi e Subaru, será sempre uma mais valia para os ralis.
Reforço a ideia de que deve ser um carro o mais básico possível ao nível do desenvolvimento mas que que ofereça uma ótima condução. Estando claramente abaixo dos R5 e acima dos carros de duas rodas motrizes, o N5 é uma categoria que encaixa perfeitamente nos ralis atuais."
Miguel Barbosa está no pólo oposto, não se mostrando como simpatizante de viaturas que não tenham homologação FIA. "O primeiro ponto é segurança, em caso de acidente com um R5 sabemos que o carro foi desenvolvido por uma marca e que seguiu as mais estritas medidas de segurança FIA, o que não se garante que possa acontecer com preparadores variados.
Depois temos a questão do mercado, e pela minha experiência pelas várias disciplinas por onde passei, sei o quanto é importante podermos vender ou comprar um carro de qualquer país ou para qualquer país, e não apenas em Portugal e Espanha.
Não vejo o que possam acrescentar carros que cujo preço fica junto ao custo de um R5 usado.
Penso que temos de estar em linha com a Europa, sempre fui defensor de homogeneização dos regulamentos e para isso é necessário seguir a regulamentação FIA."
Pedro Meireles é outro dos pilotos que assume que os N5 podem fazer sentido, dentro de um regulamento bem definido. "É verdade que existe um espaço grande entre os R5 e os 2WD, o que faz com que quem queira subir na carreira tenha de ir para os R5. Trata-se de um salto incomportável para uma grande maioria dos pilotos. Para esse espaço deixado vago pelos grupo N 4WD já existe uma opção que são os R4 FIA, só que são caros.
Neste contexto poderia fazer sentido abrir o CPR aos N5, mas com limitações bem definidas em termos de preparação. Não faria sentido termos uma escalada de custos e performances e isso resultar nos N5 a lutar com os R5."
Gil Antunes foi o único dos pilotos do CPR2 que acedeu a responder ao nosso desafio, defendendo que os N5, na sua perspectiva, não são uma alternativa válida, porque "são carros com uma homologação específica na qual se vai proibir os pilotos de participarem nas várias provas internacionais onde teriam de ser inseridos junto com os regionais. E se a FPAK abrir por 2 ou 3 anos de seguida os carros ficam sem qualquer valor comercial."
A FPAK continua a avaliar a possibilidade das viaturas N5 correr no CPR, num processo cuja decisão está a demorar a ser tomada.
A foto que ilustra esta notícia é da apresentação do novo Kia Rio N5 que hoje foi apresentado e que Angel Paniceres vai estrear no Rali de Santander.
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