A APPA - Associação Portuguesa de Pilotos Automóveis tem feito um trabalho de bastidores para tentar mostrar à FPAK as vantagem que entende advir da aprovação das viaturas N5 no Campeonato de Portugal de Ralis.
António Duarte, o Presidente da Associação, detalhou ao SportMotores o trabalho feito, os argumentos da defesa da introdução desta categoria e formato que defende para a categoria no Campeonato de Portugal de Ralis.
O discurso começou logo por um aspecto negativo que tem sido realçado pelos que se mostram reticentes aos N5, e que visa os custos reais destas viaturas. "Depois de falar com variadas entidades envolvidas nesta situação (fabricantes, pilotos, comissários técnicos, etc) verificámos que em Espanha foi dada uma abertura demasiado ampla à preparação dos motores e possibilidades de utilização dos turbos. Isto levou a que aparecessem versões que, apesar de muito interessantes, desvirtuam o conceito que defendemos para cá (nomeadamente a nível de custos e performance)."
Por isso António Duarte fez questão de realçar que estão a defender a abertura dos N5 no CPR mas dentro de limites restritos. "O que sugerimos à FPAK foi a aceitação do formato mais básico de motorização dos N5, semelhantes aos fabricados pela RMC. São motores essencialmente de origem e turbos de série. Parece-nos uma boa forma de manter o custo sob controlo e permite a qualquer fabricante actual oferecer esta versão. Mesmo um N5 mais preparado a nível de motor, com um reduzido custo, pode colocar o motor e turbo de origem e encaixa perfeitamente no que defendemos.
Esta versão dos N5 deverá encaixar quer a nível de custo, quer a nível de performance entre os R2 e os R5."
O trabalho tem sido feito desde há umas semanas a esta parte, e pedimos para que fossem detalhados os passos dados, os quais têm sido pouco vistos publicamente. "Depois de estudar convenientemente esta classe, falando com 2 dos fabricantes (ARVidal e RMC), pedimos à RMC para trazer uma destas viaturas ao Rali de Amarante para a podermos avaliar fisicamente. Acima de tudo no que toca à segurança e construção da carroçaria. Fomos inclusivé auxiliados por um experiente comissário técnico. Por uma questão de clareza, fizemos este pedido à RMC pois eles já vinham ao rali com o carro do Armindo e aproveitou-se a deslocação.
Estando certos de que o carro está construído profissionalmente e de uma forma segura, em linha com a regulamentação FIA para este efeito, contactámos vários pilotos no sentido de aferir o real interesse nesta classe.
Em simultâneo, conversámos com a FPAK (via Ni Amorim) e entregámos um pequeno dossier com toda a informação que recolhemos e no qual pedimos à FPAK a aceitação desta classe em Portugal, com as restrições de preparação que mencionei anteriormente."
Junto com este dossier, facultámos os nomes dos pilotos interessados que formalizaram por escrito essa intenção à APPA. Uns para comprar as viaturas, outros para construir projectos de participação em torno desta classe."
E relativamente a esta dossier entregue à FPAK, bem como ao número de pilotos interessados, e por toda a discussão que tem existido publicamente quisemos saber quantos são e quem são eles. António Duarte não revelou nomes e assumiu não ter abordado "todos os pilotos. Apenas uma amostra que nos pareceu ser mais do que suficiente para comprovar o interesse. Dos pilotos abordados, 9 mostraram interesse em aquirir uma viatura e 12 em contruir projectos em torno da classe (em regime de aluguer, por ex.). Apesar de termos tido ainda mais feedback positivo, por uma questão de credibilidade e seriedade, apenas comunicámos à FPAK os nomes dos que formalizaram à APPA a sua intenção por escrito."
Contudo a APPA não quer colocar o foco nos nomes ou nos números, alegando que o que se trata "é de dar escolhas a quem não tem orçamentos para comprar um R5 ou um R4, tendo uma opção 4x4 mais económica e variada (como os R4) para poder disputar as provas deste desporto pelo qual lutamos."
Areferência aos R4 FIA levou-nos a perguntar também à APPA qual a sua posição sobre estas viaturas que muitos defendem ser as que efectivamente deveriam ocupar o lugar que agora se está a tentar ocupar com os N5. "Somos totalmente a favor dos R4: não se pode colocar esta questão como N5 vs R4. São produtos bastante diferentes com um target totalmente distinto. Não faz sentido criar uma luta onde ela efectivamente não existe."
Já depois da resposta a todas as perguntas estar feita, António Duarte pediu para acrescentar duas observações que resultam das discussões publicas que têm proliferado nas redes sociais. "Em função de alguma confusão que tem vindo a ser manifestada nas redes sociais, aproveito esta tua pergunta para clarificar algumas coisas:
- A APPA não tem qualquer interesse ou ligação especial com qualquer dos intervenientes neste processo, nomeadamente a RMC. O facto de falarmos muito na RMC é apenas porque construiram os seus carros num formato muito similar ao que pertendemos para Portugal.
- O fabrico dos N5 não são, nem podem ser, exclusivos de uma marca. Os N5 são uma classe, não um carro específico. Muito nos agradaria ver construtores nacionais abraçarem este tipo de projectos."
A FPAK tem em cima da mesa a possibilidade de aprovar, ou não, a entrada das viaturas N5 no Campeonato de Portugal de Ralis. A decisão está para breve.
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