Os três maiores preparadores que utilizam viaturas R5 de ralis em Portugal manifestaram-se objectivamente contra a abertura do campeonato de Portugal de Ralis aos veículos da classe N5 vindos de Espanha.
O semanário Autosport publicou hoje um extenso trabalho sobre os N5, tendo auscultado a Sports&You, ARC Sport e a Racing4You. Todas estas estruturas que colocam R5 a correr em Portugal não concordam com a abertura do CPR aos veículos N5.
José Pedro Fontes falou pela Sports&You e revelou não ser contra o conceito N5 em particular, sendo "sim a favor de que o CPR continue a seguir a norma FIA." Defendeu que uma nova categoria só se justificaria se trouxesse novos participantes e não "dividir os que já existem", como teme que aconteça.
Fontes colocou ainda um ênfase nos custos, revelando que "por 125.000 Euros já se compra um R5 usado." Além disso não acredita que os custos dos N5 sejam os que têm sido divulgados e que são os valores propostos pela RMC. O piloto que corre pela Citroen deu os exemplo dos Suzuki da AR Vidal que custam "150.000 mil Euros ou mais."
Contudo, Fontes não explicou que os carros da ARVidal são os N5+, nos quais é possível trabalhar bastante a nível de motor.
Augusto Ramiro da ARC Sport é o único destes preparadores que já estudou de perto os veículos R4 FIA, uma solução com a qual concorda, mas que assume não ter ainda vingado porque a diferença "entre um R4 e um R5 é mínima e em termos de custos são basicamente a mesma coisa."
O homem de Aguiar da Beira é assumidamente contra os N5 em parte por ser uma categoria que acredita não poder ser controlada. Além disso mostra-se fiel às categorias da FIA. "Fui contra os Porsche quando corriam sem homologação FIA porque podiam fazer tudo o que quisessem (...) Por isso, como posso concordar que um carro participe numa prova do campeonato nacional se ninguém sabe o que aquilo é?"
Manuel Castro é o mais moderado dos três, dando o benefício da dúvida aos N5 "se o regulamento técnico for muito bem pensado e elaborado." Afirma ainda "se os carros vierem com um regulamento técnico equilibrado e restritor igual para todos, eu até posso concordar" mas alerta também que já existe um produto semelhante que são os R4 FIA.
Na eventualidade dos N5 virem a correr em Portugal, o grosso dos participantes poderão vir pelo troféu da RMC. "Falam nos prémios do troféu da RMC, será que haverá mesmo prémios? Já ouvi tantas histórias de pilotos que participam em competições com prémios que ficam a arder."
Há um aspecto que todos concordam, é que a vinda dos N5 para Portugal iria pressionar o mercado dos R5 usados. Realçam também a vida útil dos N5, que sendo uma classe local estará dependente da estabilidade dos regulamentos locais. Outro ponto focado é o das performances dos N5.
José Pedro Fontes e Manuel Castro estranhamente referem que a FPAK deveria apoiar a entrada de jovens pilotos nos ralis com custos acessíveis, quando o tema em discussão é a entrada de uma nova classe para os ralis que se posicionaria entre os R2/R3 e os R5.
A FPAK deverá em breve decidir se aprova ou não a abertura da classe N5 no CPR.
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