Depois de dois anos de domínio quase indiscutível, Pedro Peres viu chegar um adversário com aparentes argumentos para contrariar o bi-campeão. Em Fafe, Ricardo Costa começou o ano a vencer, com Peres a vergar-se ao domínio e a assumir uma entrada demasiado cautelista na prova.
No troço inaugural Peres entrou com demasiadas precauções, em contraste com a entrada ao ataque de Ricardo Costa. Após dois troços, o homem do Mitsubishi liderava com 26,4s de vantagem. "Entrei excessivamente cauteloso por causa da geada e dos pisos húmidos, para além disso entrei no 2º troço sem saber o tempo que o Ricardo tinha feito no 1º. Só no 3º reagi, mas já não foi suficiente," explicou Peres que não conseguiu recuperar a diferença apesar de ter tentado. O 2º classificado acrescentou ainda que "já vinha há muito pedindo adversários no campeonato, pois bem, agora já tenho!".
Para Ricardo Costa foi um excelente início de temporada, "no meio das controvérsias em que iniciei o campeonato, este acabou por ser um prémio. Não era possível fazer melhor, estava à espera de andar próximo do Pedro Peres, mas entrei ao ataque e isso revelou-se uma táctica que deu frutos." Daqui para a frente a luta pelo título está ao seu alcance, apesar do piloto de Famalicão não pensar nele e preferir pensar que "vou dar luta ao Pedro".
Luís Mota fechou o pódio do Rali de Montelongo depois de uma prova quase sozinho, sem conseguir chegar à frente, mas sem que os adversários que o seguiam lhe conseguissem chegar perto. No 1º troço estava a desenhar-se uma animada luta com João Ruivo, só que o homem do FIAT Stilo teve problemas no 2º troço e deu um toque no 3º, acabando por abandonar.
Frederico Ferreira conseguiu o 4º posto a que correspondeu a um indiscutível triunfo entre os clássicos. O piloto do Ford Escort MKII explicou que "correu tudo bem e só no derradeiro troço aumentamos o ritmo". E foi justamente nesse troço que Ferreira conseguiu bater Nuno Pina na luta pelo 4º lugar da geral. Alinhando com o Peugeot 206 GTI que utilizará no Desafio Modelstand e com objectivo de ganhar experiência, Pina foi uma surpresa, entrando no derradeiro troço empatado com Frederico Ferreira. Apesar desta prestação, Nuno Pina irá concentrar as suas atenções no troféu monomarca nas provas futuras.
Armindo Neves estreou o Huyndai Coupé Kit-Car no Open, garantindo o 6º lugar final. Neves não tinha a prova bem preparada e considerou o resultado positivo, tendo em conta que foi um rali para ganhar rodagem. Logo atrás ficou outra dupla que esteve a aprender a trabalhar junta: Aníbal Rolo que agora é navegado pelo campeão de clássicos José Sousa. O 7º lugar poderia ter sido melhor se não errassem na escolha de pneus de manhã.
Paulo Azevedo foi 8º numa aparição esporádica, já que o ex-campeão não tem previstas participações regulares. Martinho Ribeiro no Ford Puma Kit-car e o sempre espectacular Júlio Bastos no BMW 320is fecharam o "top-ten".
Depois de duas semanas conturbadas o campeonato começou. O triunfo ficou nas mãos de um carro que há 15 dias estava proibido de correr e a publicidade obrigatória só o foi para alguns. O público foi bem visível nos troços, apesar de três neutralizações, uma delas para permitir a passagem de um funeral...
Classificação final:
1º Ricardo Costa / Nuno Almeida - Mitsubishi Lancer Evo VI - 31m39,7s
2º Pedro Peres / Tiago Ferreira - Ford Escort Cosworth - a 16,9s
3º Luis Mota / André Mota - Mitsubishi Lancer Evo IV - a 1m32,0s
4º Frederido Ferreira / Octávio Araújo - Ford Escort RS 1800 - a 2m27,3s
5º Nuno Pina / Guilherme Pereira - Peugeot 206 GTI - a 2m27,5s
6º Armindo Neves / João Luz - Hyundai Coupé Kit-car - a 2m51,9s
7º Aníbal Rolo / José Sousa - Renault 5 Turbo - a 2m53,9s
8º Paulo Azevedo / Luís Cavaleiro - Ford Escort RS - a 3m06,1s
9º Martinho Ribeiro / Paulo Marques - Ford Puma Kit-car - a 3m27,9s
10º Júlio Bastos / Estefânio Pinto - BMW 320iS - a 4m07,3s
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