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Opinião: A tirania dos media britânicos
Data: 15/09/2021 20:01

A Fórmula 1 é habitada essencialmente por ingleses e os media britânicos têm vindo a ganhar cada vez mais força, sendo quase a voz única no panorama da categoria, o que acaba por criar algumas situações em que episódios semelhantes são tratados de forma diferente.

Sete das dez equipas que presentemente disputam a competição máxima do desporto automóvel estão sediadas em Inglaterra, o que traduz num grande número de responsáveis oriundos da Ilha de Sua Majestade que se deslocam regularmente aos Grandes Prémios que constituem a uma temporada, tendo relações mais ou menos próximas com o contingente britânico de jornalistas.

Por outro lado, para além de ser a língua-franca da Fórmula 1, o Inglês, dada a sua facilidade em ser aprendida e à cultura anglo-saxónica dominante em que vivemos, é compreendido nos quatros cantos do mundo, o que potencia o alcance dos medias ingleses.

Acresce a isto, vivermos hoje numa sociedade em que facilmente a informação é disseminada. Antes do advento da internet, se alguém quisesse ter acesso a uma fonte de notícias sobre automobilismo, mesmo que pudesse ler em inglês, teria de esperar e comprar uma publicação, hoje tudo está à distância de um clique.

Isto tornou hoje os medias britânicos da Fórmula 1 extremamente poderosos, o que tem causado algumas injustiças na forma como as situações são tratadas.

Um dos exemplos mais recentes é o incidente protagonizado por Max Verstappen e Lewis Hamilton no passado Grande Prémio de Itália.

Não passou de um acidente de corrida em que ambos os pilotos decidiram não levantar o pé, tal como já tinha acontecido em Silverstone. Normal, quando ambos estão na luta pelo título, qualquer um deles tinha o direito de fazer o que fez no momento, o problema foi que ninguém cedeu.

Na verdade, directamente, os media britânicos não ficam de um dos lados, mas ao dar voz a algumas opiniões mais radicais estão, na verdade a dar força a uma tendência.

Um dos exemplos mais claros são as declarações de Jackie Stewart, que apontou que o holandês não se preocupou com o bem-estar do seu rival, abandonando o local do acidente sem se inteirar se o inglês estava bem.

Bem, quando um piloto permanece no seu carro e está a tentar colocar o seu monolugar em marcha para regressar à corrida, não deverá estar com grandes problemas de saúde, apesar de ter apanhado com uma roda no capacete. Não se percebe o porquê de o holandês ser obrigado a ver se o seu adversário estava bem, numa situação destas.

Para além disso, quando Verstappen foi para o hospital, depois do incidente de Silverstone, e Hamilton celebrou a sua vitória sem contenção (e não vejo nada de errado nisso, uma vez que era sabido que o holandês estava bem), não me lembro de ver o Sir Stewart a condenar o comportamento do heptacampeão mundial.

Também não me recordo de o escocês ter condenado George Russell em Imola, quando este, depois do violento acidente com Valtteri Bottas, se abeirou do finlandês não para perceber o estado de saúde do ainda piloto da Mercedes, mas para enfrentar com o sucedido.

Damon Hill foi outro que colocou em Verstappen o emblema de vilão, assegurando que o piloto da Red Bull procurou o acidente. Porém, no caso de Silverstone aplaudia a agressividade de Hamilton…

A dualidade critérios é assustadora da parte do Campeão do Mundo de Fórmula 1 de 1996, devendo até esquecer-se que o próprio mandou, em 1995, Michael Schumacher para fora de pista por duas vezes e precisamente em Silverstone e Monza. Talvez o inglês considere que, no seu caso, foi apenas falta de jeito…

Todos estes são exemplos de como os media ingleses conspiram para que se criem vilões e meninos bonzinhos, mas vai mais além.

Em 2019, a questão da legalidade das unidades de potência da Ferrari foi um tema que fez capas e correr tinta ao longo de todo o ano.

Não está aqui em questão se havia uma ilegalidade ou não, até porque, se uma equipa tem algo que não está inteiramente no espírito da lei, sendo, contudo defensável com uma argumentação imaginativa, não vai deixar ideia na gaveta.

Então, a Red Bull e a Mercedes usaram os media ingleses para manter o assunto em cima da mesa e estes não se escusaram em indagar sempre que possível sobre a possível ilegalidade da unidade de potência oriunda de Maranello. Quando surgiu o acordo entre a Ferrari e a FIA, não tiveram qualquer pejo em chamar à Scuderia de batoteira.

Contudo, não se vê o mesmo interesse da parte dos jornalistas britânicos pelas dúvidas que suscitam as unidades de potência da Mercedes, que poderão ter um sistema ilegal. Não se vê longos ensaios sobre o que poderá estar de errado nos V6 turbohíbridos de Brixworth, onde a maior parte dos colaboradores são… ingleses.

O tema foi aflorado aquando do Grande Prémio de Itália, mas subitamente, caiu no esquecimento…

Muitas vezes vejo apontar que a Ferrari é protegida pela FIA e pela FOM, dado ter até o direito de veto sobre o regulamento técnico. Curiosamente, este direito foi concedido a Enzo Ferrari como garantia para evitar o conluio das formações britânicas contra a italiana.

Hoje, esse conluio surge de uma forma muito mais subtil e o direito de veto, que a Ferrari nunca usou, muito embora tenha ameaçado, parece ser um proforma de pouco valor, dado que, se lhe recorresse, rapidamente seria transformada numa vilã, criando uma situação demasiado negativa para si.

O mesmo se passa com Verstappen, que não é um santinho, mas não é também o vilão pintado pelos ingleses, mas dificilmente conseguirá fugir a esse papel…

Jorge Girão


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