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Opinião: O karma da Hyundai no Mundial de Ralis
Data: 09/07/2021 18:56

A Hyundai Motorsport é uma estrutura que eu chamaria de bastante especial. Estão há quase uma década no Mundial de Ralis a competir ao mais alto nível e sempre com percalços que os impede de conseguir o tão almejado título de pilotos.

Fazendo um pouco de resenha histórica, a Hyundai teve uma falsa partida no WRC quando em 2000 se estreou com o Accent WRC, numa parceria com a MSD que acabaria em 2003 com trocas de acusações.

Em 2006 a marca sul-coreana assumiu que estava a trabalhar para regressar em 2008, mas só em Setembro de 2012 o anuncio do regresso foi feito e no final de 2013 apresentou o carro e a equipa para a temporada de 2014.

A primeira vitória surgiu logo na Alemanha desse ano perante um dos raros descalabros da imbatível Volkswagen. Thierry Neuville viu Sebastien Ogier, Jari-Matti Latvala e Kris Meeke baterem quando estavam na liderança, e desta forma a vitória caiu do céu à Hyundai que só voltaria a sentir o sabor do triunfo em 2016. Seria isto algum prenúncio?

Bem, se era prenúncio estava no sentido inverso, pois o que aconteceu aos adversários nesse Rali da Alemanha passou a ser quase normal acontecer à Hyundai quando estava bem posicionada.

Assim que os i20 WRC conseguiram ter performance para liderar provas, nenhuma marca deve ter perdido tantos ralis como a Hyundai, umas vezes por erro dos pilotos, outras por falta de fiabilidade dos i20, e até algumas vezes por erros da própria equipa. Lembram-se quando Thierry Neuville ficou sem gasolina no troço do Marão no Rali de Portugal de 2016? Na altura foi um erro inacreditável. Lembra-se de algum caso igual na duas ultimas décadas numa equipa de fábrica do WRC?

Mas foram muitas as vezes em que os carros sucumbiram em dois ou três troços seguidos levando a equipa a perder todas as hipóteses de chegar a um bom resultado. Lembram-se do México de 2019? Andreas Mikkelsen liderava a prova e desiste, dois troços depois Dani Sordo segue o mesmo caminho quando era 2º classificado. Três troços antes Thierry Neuville tinha furado e perdido a possibilidade de ser 2º na prova centro americana.

Lembram-se do terceiro troço do Rali de Portugal de 2019? Sordo perde a liderança com o mesmo problema que atrasa Sebastien Loeb, e ficam de uma assentada só dois carros fora da luta. Ou a Sardenha deste ano em que estão dois carros em 1º e 2º lugares, o 2º atrasa-se e dois troços depois desiste o 1º. Podemos relembrar o caso de Thierry Neuville em Monza, deu um toque numa chicane mas o carro ficou a andar, a seguir o motor calou-se num charco de água. Pareceu que o castigo de danificar a direção no toque não foi suficiente, e por isso o motor calou-se arrumando qualquer hipótese de chegar à assistência.

Este ano tivemos o descalabro do Safari, Ott Tanak atrasa-se num troço e o líder Neuville desiste no seguinte com uma noite a separar os dois acontecimentos, e com a particularidade de que com o abandono de Neuville, Tanak poderia ter lutado pela liderança senão se tivesse atrasado.

Eu fui buscar apenas alguns episódios dos muitos em que os carros da marca são simplesmente atacados por uma espécie de maldição num curto espaço de tempo e normalmente em grupo. É normal ver um rali a ruir completamente para a Hyundai em meia hora, e nem é sempre pelo mesmo problema ou por responsabilidade de uma única pessoa, por vezes é uma mistura de problemas no carro com erros e furos num episódio só. É notável ver o timming a que estas coisas costumam acontecer na equipa.

Michel Nadan lançou a Hyundai Motorsport mas no final de 2018 parecia esgotado o espaço de evolução da estrutura sediada em Alzenau sob a batuta do monegasco. Foi substituído por um diferente Andrea Adamo, o qual incutiu outro espírito e outra cultura na equipa, deu para o título de construtores mas não deu para o de pilotos.

Se os carros estavam mais rápidos o problema poderia estar nos pilotos, por isso para 2020 foram buscar o campeão de 2019 - Ott Tanak. O estónio começou o ano com o maior acidente da sua carreira, foi uma espécie de "Boas vindas" a uma equipa na qual tem tido sérias dificuldades em reatar a performance de 2019. Também é certo que o i20 WRC não é um carro fácil de afinar (que o diga Sebastien Loeb), mas quando a equipa supera isso por vezes e os i20 são os mais rápidos, cresce a probabilidade de ficarem pelo caminho.

Os ultimos ralis de 2021 foram um inferno para Andrea Adamo e os seus pares, e apesar do próprio reconhecer que devem estar a fazer algo de errado, a verdade é que nem ele saberá. Os componentes das suspensões são exatamente iguais aos de 2020, no Safari a manutenção foi maior que o costume com substituição de componentes em todos os parques de assistência, e mesmo assim, elas partiram e comprometeram mais um resultado. Têm de olhar para os pneus e algo mais que o carro tenha de novo, porque as suspensões são as de 2020 e não partiam.

É verdade que os i20 WRC estão muito rápidos este ano, e poderia-se pensar que este aumento de performance traria menos fiabilidade. Se exceptuar as suspensões, os i20 WRC não têm tido problemas que possam estar relacionados com uma ida além dos limites do carro na busca de rapidez. Pelo menos acredito que ao ver o seu problema no Safari, Ott Tanak não o associe a isso.

Em resumo, a Hyundai Motorsport, no que ao projeto do World Rally Car diz respeito, é uma estrutura à qual tudo acontece da forma mais dolorosa. Bem diferente do Mundial de Turismo WTCR onde os i30 já foram mundialmente coroados.

O construtor sul-coreano tem investido mais de 60 milhões de Euros anualmente no WRC, e em Seul gosta-se deste projeto, senão já o tinham terminado, mas falta-lhes a principal conquista: Um título mundial de pilotos.

Apesar da forma comprometida como a Hyundai tem investido, esta pandemia veio trazer um travão. Notou-se nas negociações sobre o regulamento dos Rally1 híbridos e na preocupação da Hyundai Motorsport com os custos, e começa a notar-se em pequenas coisas no dia a dia da equipa. A saída de Alain Penasse poderá ser um sinal de corte nos custos, e o belga era uma peça chave na equipa mas também bem pago.

Seria bom que o karma da Hyundai mudasse para que os decisores sul-coreanos não se fartem do mundial de ralis e batam com a porta. A marca foi um ativo precioso do WRC nas últimas temporadas, e penso ser desejo de todos que gostam de ralis que o continue a ser.

A foto que ilustra este artigo espelha na perfeição o que é a Hyundai Motorsport no WRC, tem de lutar muito mais que os outros para conseguir chegar perto deles durante mais anos do que é normal.



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