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Opinião: Os troços rápidos em ralis
Data: 15/10/2020 19:21

O fim de semana passado foi triste, não é para acontecimentos daqueles que gostamos de ralis, mas "life goes on" e como alguém escreveu numa rede social: temos de fazer as pazes com os ralis.

Fazer as pazes significa analisar mais friamente tudo o que foi dito a quente no contexto do acidente, e que essencialmente foram queixas da excessiva rapidez dos troços.

É um facto que o Rali Vidreiro é rápido com médias acima dos 110km/h, já o Rali Rota do Sol o era. Só para terem uma ideia, em 1987 Joaquim Santos ganhou a prova ao volante do Ford Sierra Cosworth com média de 107km/h, mas em 1981 Santinho Mendes fez média de 96km/h conduzindo um Datsun 160J. Há que pensar nos carros da época para se perceber melhor o que representavam essas médias.

As médias são subjectivas, porque se forem conseguidas em terreno aberto não são relevantes, mas se forem em terreno ladeado por árvores ou num traçado com precipícios devem ser muito consideradas. Contudo há um aspecto que parece consensual: a adrenalina num troço rápido é enorme, viciante. Por isso é que se fazem troços rápidos e se arrisca e se juntam muitos inscritos.

As chicanes são uma forma de reduzir velocidade, mas apenas o fazem reduzindo também os riscos por 300 ou 400 metros, e por uns 15 segundos. Hoje em dia um veículo da categoria R5 que saia a 50 ou 60km/h de uma chicane, demora uns 10 segundos para atingir os 160km/h. Na prática uma chicane em cada quilómetro, reduziria os riscos em 40% do percurso e 60% do tempo. Mas isso teoricamente representaria uma chicane de 40 em 40 segundos. Quem é o piloto que gosta de chicanes com esta cadência?

Os troços rápidos merecem reflexão, porque umas zonas rápidas são mais perigosas que outras, os carros continuam a evoluir e curvam cada vez mais depressa, especialmente a velocidade em curva é que é relevante. Por isso a questão das médias pode ser bem enganadora. Se as velocidade elevadas num troço forem atingidas apenas em rectas, e as curvas foram feitas a média velocidade, o risco é normal ou baixo, mas a existência de várias rectas vai fazer com que a média inviabilize o troço.

Mas se tivermos um troço todo ele rápido, as chicanes devem colocar-se na rectas ou nas curvas? Provavelmente nas curvas, mas os troços não são pistas onde se escolhe para que lado vai o traçado, os troços usam as estradas publicas e os organizadores têm de se cingir ao que existe.

Se olharmos para o acidente de Carlos Vieira em 2018 constatamos que não foi numa zona excessivamente rápida e que não é diferente de qualquer outra em qualquer rali. Se olharmos para o acidente do passado fim de semana, a zona não era excessivamente rápida, nem sequer era uma das zonas críticas da prova. Mas ambos bateram no maior adversário de um carro de rali: as árvores.

Para olharem esta temática em perspectiva, podem analisar o Pohjanmaa SM-Ralli do campeonato finlandês. Emil Lindholm venceu este rali em pisos de terra em estradas ladeadas por árvores, à média de 132km/h. Houve um acidente de um concorrente contra uma árvore que obrigou à entrada dos meios médicos, mas a saída deu-se a uns 60km/h numa zona lenta.

Não somos um país de troços muito rápidos, mas temos sofrido a infelicidade de alguns acidentes sérios, se calhar até em maior número do que nos países onde os ralis têm por norma médias bem superiores às dos nossos ralis. Essa infelicidade tem sido o nosso grande problema, ainda por cima concentrado na Marinha Grande.

Devemos acabar com os troços rápidos? Devemos acabar com as zonas rápidas nos troços? Devemos conversar em torno desta questão para encontrar um equilíbrio? Devemos fazer a razão sobrepor-se à paixão, ou tentar manter um difícil equilíbrio cujo balanço varia em função de como correm as provas?

Não defendo nem condeno troços rápidos, apenas constato realidades para que se medite, e nem me parece que eu esteja a mostrar novidade nenhuma, ou pelo menos não deveria.

Uma coisa é certa, um troço rápido só tem maior risco em caso de um problema mecânico, porque de resto está dependente do quanto um equipa quiser arriscar no traçado, e essa dose de risco aplicada na condução vale mais do que o nível de perigosidade natural de um troço.

Sobre o ultimo fim de semana merece reflexão a fotografia do Peugeot 208 esticado, com um leigo a questionar se aquilo tem mesmo de ser assim. A morte de Laura Salvo não deveria passar em vão, não deveria ser mais uma fatalidade inconsequente.



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