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F1 - Entrevista: Mario Isola - o homem e a Fórmula 1
Data: 22/04/2020 19:32

Mario Isola é hoje um dos homens mais importantes da Fórmula 1, sendo responsável pelo projecto de Fórmula 1 da Pirelli. O italiano foi entrevistado pelo SportMotores.com, partilhando connosco histórias que vão desde a forma como ocupa os tempos livres até à forma como a companhia italiana garante a igualdade entre todas as equipas.

O Homem
Curiosamente, muito embora nunca tenha tido um plano para estar envolvido de alguma forma no desporto automóvel, Mario Isola desde cedo começou a nutrir uma paixão pelo automobilismo, tendo mesmo competido no karting desde tenra idade. Porém, foi o acaso que o levou para a Pirelli e ao lugar que o ocupa hoje.

Curiosa é a sua actividade dos tempos livres, que abraçou por acaso, mas que tem vindo a desempenhar mesmo na profunda crise em que a COVD-19 colocou Itália.

Começou no desporto motorizado bastante cedo, no karting. Parece que o automobilismo sempre fez parte dos seus planos. Para si qual é o apelo do desporto motorizado?
MI: “Cresci a assistir à Fórmula 1, portanto, assim que tive idade suficiente, comecei a pedir ao meu pai para me comprar um kart. Comprámos um kart velho e barato e correu bem, portanto, após mais ou menos um ano, comprou-me um kart como deve ser, para a classe Cadete 100, e a partir de então raramente estive fora das corridas. Competi ao longo de dez anos e o desporto automóvel fez parte da minha vida desde então. O Karting foi muito divertido e, muito embora nunca tenha estado ao nível dos pilotos com quem trabalho agora, um passado na competição ajuda-me a relacionar com as informações que eles me dão nas minhas actuais funções. Tive a sorte de estar no Karting com alguns pilotos que alcançaram bastante: a primeira vez que encontrei o Max Papis, por exemplo, quando estava a trabalhar para a Pirelli, ele disse-me: ‘não te conheço de algum lado?’ E era verdade: fizemos karting os dois quando eramos adolescentes.”

Quando foi que decidiu colocar um ponto final na sua carreira de piloto e porquê?
MI: “Antes de entrar para a universidade. Conclui que havia outras pessoas que eram muito melhores que eu e que necessitava de me concentrar nos estudos e, então, encontrar um verdadeiro emprego! Mas de tempos a tempos faço ainda alguns ralis para me divertir e isso ajuda-me a entender como são as coisas do ponto de vista dos pilotos.”

Foi sempre o seu plano estar envolvido no desporto motorizado?
MI: “Nem por isso, mas é claro que sempre gostei de corridas. Comecei na Pirelli como piloto de testes, mas aconteceu quase por acidente: candidatei-me a um emprego na Pirelli e durante a entrevista ficaram a saber que eu tinha feito algumas corridas. Alguns dias mais tarde, um dos pilotos de testes saiu e fui chamado para realizar um teste em Vizzola. Portanto, eu apareci, mostraram-me a pista e disseram-me para escolher entre um BMW e um Volvo para realizar a minha avaliação. Escolhi o Volvo, dado que pensei que um carro de tracção dianteira seria mais fácil! Não tenho ideia de como correu, mas disseram-me algumas semanas mais tarde que tinha o lugar. Isto acabou por me levar ao departamento de pesquisa e desenvolvimento de produtos para carros de estrada e, finalmente, cheguei ao departamento de desporto – que era o que sempre ambicionara – para trabalhar no campeonato FIA GT. Depois, fui para os ralis, mais tarde para a GP3, quando começámos em 2010, e em 2011 para a Fórmula 1, o nosso primeiro ano. E aqui estou.”

Tem já uma ccarreira no desporto automóvel muito bem-sucedida, mas no automobilismo deseja-se ir sempre mais além. Quais são os seus objectivos pessoais para o futuro?
MI: “O maior objectivo é conseguir um produto que mantenha satisfeitos as equipas, os pilotos, os promotores e os adeptos. E todos os que já trabalharam na Fórmula 1 sabem que, por vezes, isto parece ser quase impossível! Do ponto de vista técnico, o nosso desiderato é, claro, construir um pneu que possa aguentar as cargas massivas geradas pelos carros mais rápidos alguma vez vistos na Fórmula 1 e, para além disso, criar um bom espectáculo. Esse é o nosso objectivo partilhado.”

Conduz uma ambulância no seu tempo livre. Por que motivo o começou a fazer?
MI: “Sou condutor voluntário de ambulância há mais de trinta anos. Quando comecei tinha dezoito anos e alguns amigos falaram-me de um curso de condução de ambulância e primeiros socorros. No início não estava muito interessado, mas assim que me envolvi apaixonei-me. Desde então não esmoreceu. Vemos de tudo e, claro, estamos treinados para o suportar, sejam lesões físicas ou problemas mentais. É fascinante e uma curva de aprendizagem constante, o que é comum com a Fórmula 1. Faz-nos valorizar o que temos na vida, sobretudo no momento que vivemos presentemente.”

Tem já uma longa carreira no desporto automóvel. Tem algum episódio que recorde com satisfação que queira partilhar connosco?
MI: “Lembro-me claramente da primeira vez em que senti o sabor do sucesso. Foi muito antes de chegar à Fórmula 1: foi quando vencemos o FIA GT de 2005 com o Maserati MC12. O programa teve o seu início em 2003, com o carro e os pneus a serem desenvolvidos em paralelo, foi o primeiro programa em que estive envolvido. Então, vencemos contra outros construtores de pneus muito fortes, o que foi uma grande satisfação. Na última corrida, em Zhuhai, fomos primeiro e segundo, e conquistámos o título não só por que o carro era bom, mas também porque funcionava muito bem com os pneus. Quando os carros cruzaram a linha de meta fui encharcado com água por todos os membros da Maserati: ainda tenho uma foto algures! São em momentos como este que sabemos que fizemos o trabalho de acordo com o máximo das nossas potencialidades, o que é muito satisfatório e excitante.”

A Pirelli e a Fórmula 1
A Pirelli está na Fórmula 1 desde 2011 estando agora no meio de um contrato que a levará até 2023, mas nem sempre é fácil ter dez equipas a querer levar os pneus até aos limites. Isola assume que uma Guerra de Pneus talvez animasse as corridas ainda mais, mas admite que talvez não seja o momento para que o mundo dos Grandes Prémios abrace mais que um fornecedor de pneus.

A Pirelli é o fornecedor de pneus exclusivo da Fórmula 1. A Pirelli daria as boas-vindas a uma guerra de pneus, se fosse possível regulamentarmente?
MI: “No fundo, não nos cabe a nós decidir: ficaríamos tão satisfeitos por competir como continuar com a situação de fornecedor único. De facto, se olharmos para a variedade de campeonatos que fornecemos em todo o mundo, verificamos que estão divididos entre fornecimento único e competição aberta. Mas a impressão que temos da parte das equipas, de momento, é que não existe um grande apetite por uma guerra de pneus, devido à presente situação económica. Portanto, teriam de existir argumentos fortes para voltarmos a ter uma competição aberta.”

Quais são as vantagens e desvantagem de uma guerra de pneus, na sua opinião? Seria melhor para a Fórmula 1?
MI: “A vantagem (n.d.r.: de uma guerra de pneus) é que temos outro elemento técnico em competição e que pode fazer a diferença, criando interesse, com um ritmo de desenvolvimento rápido. A grande desvantagem é, evidentemente, o grande custo financeiro que isto custa. Portanto, de momento, num clima de redução de custos, provavelmente, não é a melhor solução para a Fórmula 1. Para além disso, a situação de fornecedor único significa que todas as equipas têm exactamente o mesmo produto e isto permite às equipas do fundo do pelotão apanhar um pouco as equipas da frente.”

Os pneus são um componente crítico num carro de Fórmula 1 moderno. De que forma a Pirelli assegura a igualdade entre todas as equipas?
MI “Igualdade e justiça está no centro de tudo o que fazemos. Os pneus alocados para cada corrida são sorteados pelas equipas, de acordo com o regulamento da FIA, através de um código de barras. Na verdade, a FIA aloca os pneus às equipas com antecedência sem qualquer envolvimento da Pirelli no processo. Apontamos um engenheiro da Pirelli a cada equipa para manter a confidencialidade, cada um deles apenas vê os dados da respectiva equipa e essa informação nunca é partilhada. Nas reuniões, nunca falamos de equipas especificas, apenas em valores médios. Para além disso, regularmente, rodamos engenheiros entre as equipas. Portanto, a confidencialidade é sempre mantida e nunca foi um problema.”

As equipas tentam tirar vantagem da Pirelli?
MI: “Penso que está na natureza competitiva de todas as equipas procurar uma vantagem em todas as áreas, mas tal como apontei, tratamo-las de forma absolutamente igual.”

O Futuro
O futuro não se apresenta sorridente para o mundo e, por conseguinte, para a Fórmula 1, esperando-se uma crise avassaladora devido à pandemia do COVID-19.

Contudo, Mario Isola confia na FIA e na FOM e acredita que a introdução dos pneus de dezoito polegadas, cujo programa foi adiado em um ano, será uma mais valia para a categoria máxima do desporto automóvel.

Em 2022 serão introduzidos os pneus de 18 polegadas. Que impacto espera que tenham na competição?
MI: “Antes de mais, os pneus de dezoito polegadas são mais relevantes para o marketing e para a transferência de tecnologia. Já não existem muitos carros de estrada em que possamos ver pneus de treze polegadas e nenhum no sector de prestígio e premium, que é o coração do nosso negócio de vendas para carros de estrada. Portanto, ter na Fórmula 1 pneus com dimensões semelhantes aos pneus que regularmente fornecemos para os carros de estrada, obviamente que nos permite transferir mais tecnologia da pista para a estrada. No que diz respeito à competição, teremos de esperar para ver, dado que estamos ainda no início do programa de testes dos pneus de dezoito polegadas. Mas os novos pneus forma desenhados para serem um complemento do mais recente regulamento técnico que entrará em vigor em 2022, que tem como objectivo melhorar o espectáculo no futuro. Os pneus são, obviamente uma parte importante.”

Está no horizonte uma das maiores crises económicas de sempre, devido à pandemia do COVID-19. De que forma esta terá um impacto na Fórmula 1, nas equipas e na Pirelli?
MI: “É justo dizer, junto com toda a gente, que a pandemia afectou quase todas as nossas actividades de competição: corridas, ralis e motociclismo. Para já, em Itália foi pedido a todos que trabalhem a partir de casa, tal como é o caso em muitos outros países, portanto, estamos a tentar continuar a desempenhar o nosso trabalho de uma forma mais normal possível, com videoconferências, etc. É claro que não é o ideal, mas podemos ainda assim trabalhar de uma forma efectiva.”

Acredita que as medidas avançadas, a antecipação das férias de Verão e o adiamento do novo regulamento, são suficientes?
MI: “Penso que sim. No que diz respeito à Fórmula 1, seguimos a FIA e a F1 (n.d.r.: a FOM), com quem estamos em contacto regular. Juntos, com estas duas organizações, assim como com as equipas, estamos também a assumir medidas de contenção de custos que podem ajudar toda gente – especialmente as equipas mais pequenas – a ultrapassar este período.”

Jorge Girão


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